A pergunta que ecoou entre fãs do mundo todo após o último episódio de “Stranger Things” é simples, porém nada fácil de responder: afinal, Eleven morre ou não? O encerramento da série aposta em um desfecho propositalmente ambíguo, carregado de emoção, simbolismo e interpretações abertas... O resultado é um verdadeiro nó na cabeça do público!
A seguir, destrinchamos o final da personagem vivida por Millie Bobby Brown, reunindo o que a série mostra, as teorias levantadas dentro da própria narrativa e, principalmente, o que os criadores Matt e Ross Duffer explicaram oficialmente sobre essa escolha.
No último capítulo da quinta temporada, Eleven assume a decisão mais difícil de toda a sua trajetória. Para colocar um ponto final no ciclo de violência, experimentos e ameaças vindas do Mundo Invertido, a jovem permanece no portal enquanto ocorre a explosão que sela - definitivamente - aquela dimensão.
A cena é construída como um baita adeus emocional. Antes do colapso final, Eleven se despede de Mike e deixa claro que sua permanência ali não é um impulso, mas uma escolha consciente. Para muitos fãs, o momento soou como uma morte simbólica - e talvez literal - da personagem que salvou Hawkins inúmeras vezes.
Apesar do peso dramático da sequência, a série nunca mostra o corpo de Eleven, nem confirma explicitamente sua morte. E "Stranger Things" nunca fez isso por acaso.
Ao longo do episódio, surgem indícios de que o sacrifício pode não ter sido exatamente o que parece. Um detalhe observado por Mike chama atenção: Eleven não reage aos dispositivos que deveriam afetar quem estivesse fisicamente exposto ao portal. A partir disso, surge a possibilidade de que o que vimos tenha sido uma projeção, ilusão ou até uma estratégia psíquica, algo já explorado anteriormente com Kali, a “Irmã Oito”.
A própria narrativa assume essa dúvida. No epílogo, ambientado no futuro, os personagens seguem em frente, mas sem respostas definitivas.
Em uma das cenas do desfecho, Mike compartilha sua interpretação dos acontecimentos. Para ele, Eleven pode ter sobrevivido graças a um plano elaborado com Kali, usando ilusões para enganar todos - inclusive seus amigos.
“A gente não sabe se é verdade. Mas eu escolho acreditar que seja”, diz Mike, em essência. A frase funciona quase como um recado direto ao espectador: o final de Eleven depende da forma como cada um decide enxergá-lo.
A ambiguidade, no entanto, não é fruto de indecisão. Em entrevistas oficiais, Matt e Ross Duffer explicaram que nunca existiu uma versão do final em que Eleven simplesmente seguisse a vida com o grupo.
“Nunca houve uma versão da história em que Eleven estivesse com a turma no final. Para que nossos personagens pudessem seguir em frente e para que a história de Hawkins e do Mundo Invertido chegasse ao fim, Eleven precisava ir embora”, afirmou Ross Duffer, em entrevista ao Tudum.
Os irmãos reforçam que a personagem jamais teria uma vida “normal” após tudo o que viveu - e que isso, por si só, já inviabilizaria um final tradicionalmente feliz.
Outro ponto central da decisão criativa envolve os poderes de Eleven. Para os Duffers, retirar suas habilidades seria esvaziar o significado da personagem.
“Nós não queríamos tirar os poderes dela. Ela representa a magia de muitas maneiras - a magia da infância”, explicou Matt Duffer.
Segundo eles, Eleven simboliza exatamente aquilo que a série se propõe a encerrar: a transição da infância para a vida adulta. Sua saída (seja como morte, desaparecimento ou exílio voluntário) marca o fim desse ciclo.
Os criadores são categóricos em um ponto: independentemente de estar viva ou não, Eleven não retornaria para Hawkins. Qualquer contato direto com os amigos destruiria o peso emocional do final.
“Se essa é a narrativa, essa é realmente a melhor maneira de mantê-la viva. Trata-se de Mike e de todos encontrarem uma forma de seguir em frente”, concluiu Matt Duffer.
No fim das contas, "Stranger Things" entrega um encerramento que foge do óbvio. Eleven pode ter morrido. Pode estar viva, em algum lugar desconhecido. Ou pode existir apenas na memória e na imaginação dos amigos e dos fãs.
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